XI

Literatura do Amor

Meu amor agora vive nas tintas
Entre linhas
Mudando sempre de linha
Até virar páginas
Escrevendo sobre desgraças
Ponto!
Agora passa essa linha
Para costurar o peito rasgado
Vírgula!
Para descansar e respirar fundo
Espreguiçar a mente pra escrever novos conteúdos
Contudo...
Ponto e vírgula!
É dessa que um novo amor entra na minha vida
Para me dar belos motivos para escrever belas poesias
Reticências!
A parte em que ultrapassamos a paixão
E enxergamos a clareza do coração
Etc...
Já se conhece a história de cor
Vou pulando mais um capitulo mal escrito
nas páginas do mesmo livro
Resiliência!
Prontos! Quem nunca?!
Nesse oceano navego, ou melhor, sou arrastado
Dentro de uma garrafa totalmente bêbado
Rezando que as tempestades se acalmem
E que as ondas, com a ajuda dos ventos,
Me devolvam ela nos meus pensamentos..


Poha, fudeu. Me lembrei dela...
Erro!!!
O pior é que amor fracassado não leva corrector.

Redator, bota aí um ponto de exclamação!

Preciso de um caderno novo...

V

Souvenir de uma Saudade

Às vezes, para matar as saudades, coloco uma das almofadas no peito e fico a imaginar você adormecida nele
Fico preso a acompanhar o teu lento respirar
Caindo em vertigens ao apreciar os teus cabelos a deslizarem entre os meus dedos como se fossem areia do mar
Desmaio em sonhos quando o meu coração escuta os teus batimentos cardíacos
Decifrando meticulosamente a variação de bombeio em cada teu sentimento perdido

Sinto falta de te ver a brincar no chuveiro
Vendo a água a deslizar pelo teu corpo inteiro
Saindo das montanhas dos teus seios
até perder a altitude nas cascatas das tuas pernas
Desaguando na Foz do Banheiro

As viagens não param até que eu também caia no sono.
E quando acontecer, ainda estaremos juntos, pertinhos e aconchegados
Deitados nesta mesma minúscula cama, com lençóis brancos amarrotados
Os nossos pés, que nem estrelas, juntinhos e entrelaçados
E eu a fazer cafuné nesses teus pequeninos lábios...

"Souvenir é sentir o teu perfume nestas fronhas quando tu já não estás por perto"

XI

Cabernet Sauvignon

Degustar é ter a tua boca como decanter
E ter o Sommelier em minha merçê
Deixar aromas serem libertados que nem combustão
Sabores picantes que nem comichão
Em cada beijo, em cada degustação
O teor alcoólico é a suculenta saliva
Pertinentes dessas almas desconhecidas
O dialecto é o contacto das linguas
E são os nossos gestos, a intensidade do calor
Que ditam a textura e a cor
Do nosso tão amado Cabernet Sauvignon.
II

Words I fail to say, But my heart yells them

There are things we never forget
Like a hug
The very first kiss
The body in the bedsheet
Like labyrinth, knowing
Every corner of it

There are things meant to be unforgettable
Like the face of our childhood love
Her doll face in a mermaid body
The female innocence

There are things that are never enough to be said...
Like "I love you"
"I miss you"
"I wish you could be here"

I am a poet
But these are the words that pains me the most to say
And
There are words like "I'm sorry"
Words like these that my heart yells
Everytime
Everyday
That it should be years now
Without stopping...

III

Um Desabafo Académico

Em véspera de projectos e defesas, pessoas lindas e formosas, irrita-me quando alguém me pergunta se não irei defender. E caso responder que sim, hão de perguntar o porquê de estar vestido de tal forma.
É uma pergunta não obstante curiosa, mas no entanto ridícula. E aí me pergunto:
"O que será o mais importante? A minha vestimenta ou o meu trabalho? Aquilo que carrego no corpo ou na cabeça?"
De qualquer forma, de nada me adianta pensar na vestimenta que irei de usar, se não consigo fazer o meu programa compilar.
É tão simples assim porra!