Uma Espécie de Autobiografia

Textos que de certa forma acarretam um pouco ou muito de mim, as minhas opiniões, e sobre a minha vida pessoal .

LXI

À Deriva

Tentei viajar pelo país afora
Conhecer faces novas
Sentei-me com monges
Tribos
Estudei sobre religião
E fiz do meu corpo um canal espiritual
Escalei montanhas e diversas paisagens
Aventurei-me em corpos estrangeiros sem bilhetes de passagem
Mas nunca
Nunca mesmo
Me senti tão perdido
Tal como fiquei quando vi o meu reflexo
Nos teus olhos
à deriva nos devaneios da vida
Tentando preencher a saudade idealizada
Nos cantos mais tristes da vida
Com viagens marcadas só de ida...

XXXVII

Um Desabafo Académico

Em véspera de projectos e defesas, pessoas lindas e formosas, irrita-me quando alguém me pergunta se não irei defender. E caso responder que sim, hão de perguntar o porquê de estar vestido de tal forma.
É uma pergunta não obstante curiosa, mas no entanto ridícula. E aí me pergunto:
"O que será o mais importante? A minha vestimenta ou o meu trabalho? Aquilo que carrego no corpo ou na cabeça?"
De qualquer forma, de nada me adianta pensar na vestimenta que irei de usar, se não consigo fazer o meu programa compilar.
É tão simples assim porra!

XXXI

Uma Morte Anunciada

Aos olhos peregrinos
sou um mundano moribundo,
atravessando buracos profundos,
pouco se lixando
com as repercussões do futuro
 
Que nem uma bela poesia,
encarcerada, dentro de uma caixa,
sem vida, perdida,
sem chance de ser encontrada,
vivo na mais abismal escuridão,
de segunda a domingo
em aguda depressão,
perguntando-me o que seria <<se>>
se os planos não tivessem falido...

Às vezes desejo morrer,
mas são tantos problemas
que ela acaba se tornando
a última na lista de afazeres

Então, perece uma nova esperança,
nasce mais um sentimento de vingança
Este, porém, é engolido pela garganta,
ficando inerte, para sempre, nas entranhas

Nunca perdi ninguém na vida
Não obstante a morte e o futuro
serem os meus maiores medos
A morte dos pais, dos irmãos,
dos amigos e dos filhos
O medo da carreira fracassada,
de amar e não ser amado
O medo do divórcio,
e outras coisas do quotidiano...

Rumo numa jornada solitária,
enfrentando fantasmas na hora do dia
Sinto que minha presença
causa repúdio à luz ensolarada...
Pudera! Sou um homem sem crença,
cético de tudo que me entra na cabeça

Os comprimidos,
que antes ajudavam-me a dormir
e suavizar o meu fim,
hoje já não fazem efeito algum
Então, a prescrição do doutor passou a ser:
<<sorrir>>

O sorriso, lentamente,
transformou-se em risadas
para esconder o choro seco e as mágoas
Infelizmente nessas risadas, sou uma corrente rasa...
Que adianta?! Se tudo que julgo passar, não passa!!