LIV

Estado da Nação

Passos desaceleraram 
ao ver as machetes do "O País"
Surpresa!
Novo empréstimo do FMI
 
JLO humilha-se à China
para tapar os buracos do país 
Enquanto isso abafa o caso 
alegando que vai cortar o mal pela raiz
 
Manos e manas a se espalharem 
Efeito do iPhone XI
Fake News são vendidos rapidamente 
Wey Tommy e a Poca Py
 
Mosquitos fazem manifestação
nas vias principais das águas paradas
As mortes causadas pela jarda
superam, pela primeira vez, a malária
 
Depois de Eva Rap Diva 
Gilmario é expulso do paraíso 
A crise finalmente chegou no partido 
Mamas zungueiras já não temem a polícia
Agora batem de frente com IVAn
subindo o preço da mandioca, ginguba, 
até do tão amado pão com isca
 
Jejum de maratonas
leva jovens a questionar
as incompetências do MPLA
Será que é desta que os marimbondos
serão expulsos do lar?!
População angolana fodida com JLO
e o seu lema de governação
"Exonerar e Viajar"
 
Nomeação de Adalberto Júnior
mostra que UNITA
não é apenas bom de contas
mas também em democracia
Totalmente oposto
daquilo que a oposisão dizia...
 
O feminismo continua a colher os seus frutos
Mulheres assumem postos antes privilegiados,
dão capote no machismo angolano,
e, claro, também empatam homens no álcool
 
Crianças, o bode expiatório dos problemas
Se não são acusadas de feitiçaria
são infectadas com sida
Jornal de Angola ou Maka Angola? 
Na Lente! Grande notícia!
 
No Sambila,
adolescentes fazem richa com catanas na street
Onda de crimes assola a capital do país
Este é o mundo do Grand Theft Auto: Kianda City
E, meus irmãos, não somos nós na posse do joystick
 
Locais de festas a se tornarem igrejas 
Igrejas a se tornarem bordéis 
Entretenimento e empreendimento,
em que somos meros consumidores fiéis
 
Gatuno não é apenas aquele com arma,
também é aquele que veste o terno
Todo mundo contra todo mundo 
a ver se conseguem 
passar pela porta do governo 
Soldados da fortuna a lutarem pelo sustento 
Dar o cú para ter o cú no parlamento,
é o glorioso desejo eterno
 
Situação angolana é um filme de terror
Governo desperta dos mortos
abre luta contra os marimbondos
A população, como insatisfeito telespectador
é quem vive o satírico horror
E, nesse filme, adivinha quem é o director?! 
Nada mais do que o exterminador JLO!!
 
A gatunice precisa imediatamente
de uma ressignificação
Membros do governo
em negócios obscenos
para ver se palavra "marimbondo"
irá ganhar a "Palavra do Ano"
De tanta concorrência,
os kotas terão de optar pelo peculato
 
A esperança é a última a morrer
Isto até o IVA aparecer
Equidade é jogo de "Mete Tira"
em que a Dona Ana Joaquina brinca
no seu Palácio da Justiça
JLO pediu-nos resilência
sem na verdade nos ensinar como
Bem que nós tentamos,
até vermos aquele bolo...
 
Pretas e pretos estão se amando,
lavando o cabelo da cor do pecado
Muitos não sabem,
mas foi o profeta quem o disse no passado
que a negritude é salvaguarda
dos valores culturais
E nota-se, pois, vestimos agora
os panos dos ancestrais
Abertamente falamos das origens dos nossos pais
os seus dialectos, costumes e gastronomias
 
Roubar é permitido 
Falar dos que roubam 
É proibido!
 
Mambimbi foi um profeta
Manguxi foi um oráculo
Holden pegou nas bicuatas e deu o voado*
Zé Dú foi um astuto kalupeteka
JLO é o prometido pastor das ovelhas
Já se pode notar o padrão
E nós a pensar que somos um Estado Laico
Só que não!
Somos governados pela mesma religião
"O Reino do Maribondismo"
alocando ceguidores* para o seu plano de acção
[...]
Se Angola fosse Nárnia,
a profecia finalmente
se cumpriria, a dinastia continuaria
e as palavras do velho oráculo
finalmente sentido fariam:
 
"Havemos de Voltar"
L

Bilhete de Passagem

Uns viajam para esquecer, eu viajo para recordar
Quer das tristezas, quer das felicidades
Para espairecer, me achar
Tanto das vivências, quer das afinidades

Diga-se de passagem que o futuro actual é a miragem do passado
Por isso, escolho diariamente viajar na reminiscência do nosso amor
E como preço tenho vislumbres das tempestades e turbulências
Rezando que os ventos tragam nos seus sopros o teu odor
Para que, pela última vez, possa me confortar nas recordações,
aquando sentávamos no pátio
Falando por horas afinco
Eu e as minhas anedotas
Tu e os teus sorrisos
Dois rostos cheios de vincos

É também adormecer nos sopros dos ventos
E lembrar daquilo tudo que nos aconteceu
Dos abraços que não demos, das discussões que tivemos
O que somos agora é o fruto de um adeus mal dado
De um amor mal retornado
E inclusive do apego forçado

Bilhete de Passagem (def.)
é quando deixo o presente para embarcar nas tuas histórias
Descalço, correndo por ti, entre as nebulosas trilhas
Na falta de guia, vou seguindo o relógio sem me preocupar com as horas
Falando sobre planos, até que se faça chover utopias.

L

Quem Somos Nós

Geração Y - Millennials
Somos heroís desconhecidos,
sem capa, sem farda, e sem arma
Desempregados e sem precedentes,
vivendo do sabor de uma vida mal amada..

Vivíamos sob o teto do governo português
onde sentimos na pele a repressão e a opressão
35 anos mais tarde,
o governo é outro mas a escravatura é a mesma,
pois a luta agora é contra o peculato e a corrupção.

Geração Z
Somos jovens suicidas,
asfixiados pela demanda de expectativa
a dizer aos outros jovens que o suicídio não é a solução.

Somos fumantes,
Mas optamos pela palavra "amante"
O pulmão e o coração, inocentes,
algemados numa nebula de fumo,
expelindo pela boca o odor do defunto
que aos poucos vai cavando o seu próprio túmulo.

Outrora ancestrais com catanas, hoje
filhos com lápis e esferográfica
a caminho de três formações mal formadas
Luandando no final da tarde,
depois de sair da Baixa para o CV entregar,
bombom com ginguba é o nosso jantar.

Geração Alpha
Somos crianças desta nação
desnutridos de sonhos,
magros, alimentados por um futuro intrigante
onde a esperança a cada mês perece.

Parece que temos escolha, mas não
É tipo a democracia cá na banda,
uma mera ilusão...

Adolescente de 15 anos
prostitui-se para alimentar a família
O pai, indignado, deita fora a comida
A mãe faz prantos, e acusa a igreja de bruxaria
a irmã, carente e desnutrida, passa à fome
enquanto o irmão ajuda com o que pode
fazendo assaltos na ponte.

Quem somos nós? Quem sou eu!?
Para ser honesto,
e sem mencionar o resto,
não sei quem sou, por que eu luto
e nem tão pouco para onde vou.

Sinto nada, cansei-me de tudo
Sigo avante como manda o hino
buscando e abraçando o pouco
e do pouco que consigo
já é o suficiente pra garantir um copo
ou quem sabe um corpo
Até porque lixado já estou,
mas solitário é que não fico.


L

Tudo Vale!

Tudo vale!
Nesse jogo não há batotas
Tua vitória é minha vitória
Destarte, não haver derrotas

Tudo vale!
No tapete ou na cama
Na cozinha ou na sala
No quarto das crianças
ou mesmo na varanda

Aonde quer que seja,
o importante mesmo é fazer
Mas que se faça bem!
O que é mal feito causa arrependimentos
Então façamos, meu bem

Tudo vale!
Pegar na peruca ou rasgar a camisa
Com ou sem camisinha
Rápido e forte
Ou gostoso e lento

Tudo vale!
Desarrumar a casa ou quebrar a mobília
Deixar que os vizinhos chamem a policia
Em tempos de tréguas ou intrigas
Temos de saber que haverá sempre carícias

Aonde quer que seja,
o importante mesmo é fazer
Mas que se faça bem!
O que é mal feito, causa arrependimentos
Então façamos, meu bem

Até porque,
nesse jogo vale tudo
Só não vale mesmo
é acordar as crianças.

XLVI

Cabernet Sauvignon

Degustar é ter a tua boca como decanter
E ter o Sommelier em minha merçê
Deixar aromas serem libertados que nem combustão
Sabores picantes que nem comichão
Em cada beijo, em cada degustação
O teor alcoólico é a suculenta saliva
Pertinentes dessas almas desconhecidas
O dialecto é o contacto das linguas
E são os nossos gestos, a intensidade do calor
Que ditam a textura e a cor
Do nosso tão amado Cabernet Sauvignon.
XLIV

On-line

De manhã, o relógio marca 7hr
A luz matinal vai entrando,
escapando pelo buraco da janela
coberto por cortinas semiabertas

Cama desarrumada, lençois amarrotados
Somos cumprimentados pela luz fraca
que aterra sobre os nossos corpos
maculados, despidos como anjos

Que corpo é este, tão terno e afável, que jaz sobre o meu?
Que alma febril é esta, que me faz companhia nesta cama tão gelada como o céu?

Receio de acordá-la, mas por outro lado anseio por conhecê-la
Anseio por saber como chegou nesta cama,
e como durante a noite
ousou despir a minha solitária alma

Enfim
A calma já não reside em mim,
Chá de camomila para me acalmar,
pois peito ainda sente a repercussão daquele beijo

O coração ainda sente as vertigens
causadas pela lubricidade daqueles lábios,
rosáceos, carnudos
softs como manteiga derretida no canudo

Os nossos lábios,
como navios em alto mar
sem bússola sem vento
embateram-se um ao outro

As línguas à deriva em todas as partes do corpo,
apreciando cada onda, cada mergulho
até cair nas profundidades
das nossas profanas concavidades
Onde instigamos os gostos, odores e orgulhos
até nos afundarmos no orgasmo mútuo

Ai...
Quem é?
Mas quem é?
Será que algum dia te vou voltar a ver?

Penso nestas questões todos os dias, todas as noites
Esperando pelo momento em que entras on-line e possas me dizer novamente o teu nome...

XLI

The Moon Behind The Grey Clouds

Her life it's like the vast sky full of clouds in the night's eve.
There is no stars, there is no shine.
There is nothing beautiful in it.
Only the fresh winds along with sad memories. So do I when I look at her.
I see nothing but her pale face like a moon hidden behind grey clouds.
Shy of its own beauty.
Scared with the scars she was blessed with
My sweet darling. Your life is like the sky full of clouds in the night's eve. You, the moon, decide if you keep glowing or not.
Doesn't matter what you do, or what you feel. Let the spectrum of your lights reflect in the water.
You shall set free the lights present in the holes of your body.
You shall ignore the ones that do not appreciate you the way I do
Because, in the darkest nights I will not lose my mind, nor I will lose you...
Just keep the lights of your holes on.
In case if I get lost in the water that your spectrum reflects on.

XL

Words I fail to say, But my heart yells them

There are things we never forget
Like a hug
The very first kiss
The body in the bedsheet
Like labyrinth, knowing
Every corner of it

There are things meant to be unforgettable
Like the face of our childhood love
Her doll face in a mermaid body
The female innocence

There are things that are never enough to be said...
Like "I love you"
"I miss you"
"I wish you could be here"

I am a poet
But these are the words that pains me the most to say
And
There are words like "I'm sorry"
Words like these that my heart yells
Everytime
Everyday
That it should be years now
Without stopping...

XXXVII

Um Desabafo Académico

Em véspera de projectos e defesas, pessoas lindas e formosas, irrita-me quando alguém me pergunta se não irei defender. E caso responder que sim, hão de perguntar o porquê de estar vestido de tal forma.
É uma pergunta não obstante curiosa, mas no entanto ridícula. E aí me pergunto:
"O que será o mais importante? A minha vestimenta ou o meu trabalho? Aquilo que carrego no corpo ou na cabeça?"
De qualquer forma, de nada me adianta pensar na vestimenta que irei de usar, se não consigo fazer o meu programa compilar.
É tão simples assim porra!