XXXIV

Literatura do Amor

Meu amor agora vive nas tintas
Entre linhas
Mudando sempre de linha
Até virar páginas
Escrevendo sobre desgraças
Ponto!
Agora passa essa linha
Para costurar o peito rasgado
Vírgula!
Para descansar e respirar fundo
Espreguiçar a mente pra escrever novos conteúdos
Contudo...
Ponto e vírgula!
É dessa que um novo amor entra na minha vida
Para me dar belos motivos para escrever belas poesias
Reticências!
A parte em que ultrapassamos a paixão
E enxergamos a clareza do coração
Etc...
Já se conhece a história de cor
Vou pulando mais um capitulo mal escrito
nas páginas do mesmo livro
Resiliência!
Prontos! Quem nunca?!
Nesse oceano navego, ou melhor, sou arrastado
Dentro de uma garrafa totalmente bêbado
Rezando que as tempestades se acalmem
E que as ondas, com a ajuda dos ventos,
Me devolvam ela nos meus pensamentos..


Poha, fudeu. Me lembrei dela...
Erro!!!
O pior é que amor fracassado não leva corrector.

Redator, bota aí um ponto de exclamação!

Preciso de um caderno novo...

XXXIII

Souvenir de uma Saudade

Às vezes, para matar as saudades, coloco uma das almofadas no peito e fico a imaginar você adormecida nele
Fico preso a acompanhar o teu lento respirar
Caindo em vertigens ao apreciar os teus cabelos a deslizarem entre os meus dedos como se fossem areia do mar
Desmaio em sonhos quando o meu coração escuta os teus batimentos cardíacos
Decifrando meticulosamente a variação de bombeio em cada teu sentimento perdido

Sinto falta de te ver a brincar no chuveiro
Vendo a água a deslizar pelo teu corpo inteiro
Saindo das montanhas dos teus seios
até perder a altitude nas cascatas das tuas pernas
Desaguando na Foz do Banheiro

As viagens não param até que eu também caia no sono.
E quando acontecer, ainda estaremos juntos, pertinhos e aconchegados
Deitados nesta mesma minúscula cama, com lençóis brancos amarrotados
Os nossos pés, que nem estrelas, juntinhos e entrelaçados
E eu a fazer cafuné nesses teus pequeninos lábios...

"Souvenir é sentir o teu perfume nestas fronhas quando tu já não estás por perto"

XXXI

Uma Morte Anunciada

Aos olhos peregrinos
sou um mundano moribundo,
atravessando buracos profundos,
pouco se lixando
com as repercussões do futuro
 
Que nem uma bela poesia,
encarcerada, dentro de uma caixa,
sem vida, perdida,
sem chance de ser encontrada,
vivo na mais abismal escuridão,
de segunda a domingo
em aguda depressão,
perguntando-me o que seria <<se>>
se os planos não tivessem falido...

Às vezes desejo morrer,
mas são tantos problemas
que ela acaba se tornando
a última na lista de afazeres

Então, perece uma nova esperança,
nasce mais um sentimento de vingança
Este, porém, é engolido pela garganta,
ficando inerte, para sempre, nas entranhas

Nunca perdi ninguém na vida
Não obstante a morte e o futuro
serem os meus maiores medos
A morte dos pais, dos irmãos,
dos amigos e dos filhos
O medo da carreira fracassada,
de amar e não ser amado
O medo do divórcio,
e outras coisas do quotidiano...

Rumo numa jornada solitária,
enfrentando fantasmas na hora do dia
Sinto que minha presença
causa repúdio à luz ensolarada...
Pudera! Sou um homem sem crença,
cético de tudo que me entra na cabeça

Os comprimidos,
que antes ajudavam-me a dormir
e suavizar o meu fim,
hoje já não fazem efeito algum
Então, a prescrição do doutor passou a ser:
<<sorrir>>

O sorriso, lentamente,
transformou-se em risadas
para esconder o choro seco e as mágoas
Infelizmente nessas risadas, sou uma corrente rasa...
Que adianta?! Se tudo que julgo passar, não passa!!